2026-10-03 · 4 min de leitura
Venda de EV esfriou: o que muda no frete de carros

A venda de carro elétrico nos EUA esfriou — e não foi um detalhe de mercado, foi uma virada de política. O crédito fiscal federal que empurrava o EV pra fora da loja acabou em setembro de 2025, e o consumo de eletricidade pra carregar esses carros, que é o termômetro mais honesto de quanto EV tem rodando, cresceu bem menos em 2026. Se o seu negócio é puxar carro em cima do wedge, isso mexe no que vai aparecer no load board.
O que aconteceu
A EIA (U.S. Energy Information Administration) reportou no dia 30 de setembro que o consumo de eletricidade dos veículos elétricos leves nos EUA cresceu 8% no primeiro semestre de 2026 comparado ao segundo semestre de 2025 — bem abaixo dos 13% a 24% de crescimento que os semestres recentes vinham marcando. No texto da própria agência: a desaceleração "veio depois de uma queda nas vendas após os créditos fiscais federais expirarem em setembro de 2025". Mesmo com o freio, o uso de eletricidade pra EV mais que dobrou desde o primeiro semestre de 2023, chegando perto de 14 bilhões de kWh no primeiro semestre de 2026.
Traduzindo o número: o EV não sumiu, continua crescendo. Só que o foguete virou subida de ladeira. Menos carro elétrico saindo da concessionária significa um fluxo diferente entrando no mercado de transporte de veículos.
O que muda pra você
O car hauler não vende carro — mas vive do que o mercado de carro produz de movimento. Quando a venda de EV estava a todo vapor, parte do frete novo era entrega de elétrico zero-km, da fábrica ou do porto pro dealer. Esse fluxo esfriou junto com a venda. Mas o EV não evapora do mapa: ele migra pro lado que te interessa mais — trade-in, repossessão, salvados e leilão. Copart, IAA e Manheim recebem elétrico como recebem qualquer carro, e a tendência é esse estoque crescer à medida que a primeira leva de EV comprada no incentivo começa a girar no usado.
E carregar EV na rampa não é igual a carregar um sedan a combustão. Três pontos práticos mudam a sua operação:
Peso. Bateria é chumbo em forma de watt. Um EV pesa consistentemente mais que o equivalente a gasolina — isso come a sua margem de payload no 3-car wedge e pode te obrigar a montar o load de três carros com mais critério pra não estourar o GVWR do conjunto. Fazer a conta errada de peso é multa no scale e desgaste no freio.
Carro morto. EV parado com bateria zerada ou em falha vira INOP de verdade — não dá partida, às vezes trava o freio de estacionamento eletrônico e não entra em neutro sozinho. Isso é winch, é tempo e é risco. Carro que não anda sozinho se cobra diferente, e você precisa saber disso antes de aceitar a carga, não na hora de subir na rampa.
Leilão. Se o movimento de EV vai do zero-km pro usado/salvado, o seu ponto de captação muda de porto e pátio de fábrica pra pátio de leilão. Quem já opera forte em Copart/IAA/Manheim está mais perto de onde o volume de EV tende a ir.
Na prática
Não monte a sua estratégia de lane apostando num boom de EV zero-km: o dado da EIA mostra crescimento desacelerando, não acelerando. Siga o volume real, não a manchete.
Antes de aceitar EV, confirme no rate con se o carro anda ("runs and drives") ou é INOP — e precifique winch, tempo e peso extra de acordo. Resultados variam por motorista, mercado, equipamento e estação.
Refaça a conta de peso do seu 3-car wedge contando EV no mix: bateria muda o GVWR do conjunto e decide se cabe o terceiro carro.
Mercado não pede licença pra virar. O incentivo acabou, a venda esfriou, e o fluxo de EV está trocando de porta — da concessionária pro leilão. Amor fati: não adianta torcer pelo mercado de ontem. Lê o dado, ajusta a conta e vai onde o carro está indo.
Não somos transportadora nem broker. Isso aqui é leitura de mercado pra você decidir melhor a sua operação.
Fontes
EIA — U.S. electricity use for electric vehicles increasing at a slower pace in 2026 (Today in Energy, 30/09/2026)
DispatchAI Agency: https://www.dispatchaiagency.com